domingo, 4 de janeiro de 2009

Vergonha em Israel

Neste exato momento tropas israelenses marcham em direção a Gaza, após já terem matado centenas de palestinos, a maioria deles não envolvidas com o Hamas.

O motivo alegado é defesa do território de Israel contra mísseis do Hamas, disparados da Palestina. Mas é muito conveniente pra quem está no poder em Israel, às vésperas de eleições, se valer de uma guerrinha pra unir o país e garantir mais um mandato.

O valor da vida é nenhum, o direito dos palestinos são apenas os de viver uma vida horrível e morrer.

Um texto de uma jornalista palestina sobre o início dos bombardeios, publicado em http://palestinalivre.org :


"A noite mais longa da minha vida * Imprensa * Por Safa Joudeh, da Faixa de Gaza ocupada

Continuo a informar o que está acontecendo aqui onde estou, na segunda noite dos ataques israelenses por ar (e também pelo mar) contra Gaza.

1h30 AM, noite escura, e meu único desejo é que o sol nasça logo. Há horas, só ouço bombas, em vários pontos da cidade, bombardeio pesado em Gaza, na cidade e no norte da Faixa. É a noite mais longa da minha vida. Na minha área, começaram bombardeando lojas (quase sempre no térreo de prédios privados/familiares residenciais) , garagens e depósitos, numa das regiões mais densamente ocupadas da cidade de Gaza, "Askoola."

Há uma hora, bombardearam a Universidade Islâmica. Destruíram o prédio dos laboratórios. Minha casa fica perto da universidade.

Ouvimos a primeira bomba, as janelas tremeram, as paredes balançaram e meu coração quase me saiu pela boca. Meus pais, meus irmãos, irmãs e primos e primas (vieram para nossa casa, pq a casa dos meus tios foi destruída no primeiro dia) estávamos tentando dormir um pouco. Todos corremos para o lado da casa que ficava mais longe de onde vinha o barulho das bombas. Hala, minha irmã de 11 anos, ficou paralisada, não conseguia andar. Tive de arrastá-la para a outra sala. Estou com marcas no ombro, de quando Aya, minha prima de 13 anos, agarrou-se em mim e enfiava as unhas no meu ombro, a cada nova explosão. Foram quatro, sempre cada vez mais fortes. Espiei por uma janela. O céu estava pardo, cinza-azulado, só fumaça.

Os navios israelenses estão atacando o único porto de Gaza; começaram há pouco. 15 mísseis explodiram, destruindo pedaços do porto e alguns barcos. Isso não vi: ouvi no rádio. Não se pode saber se é verdade. O que se sabe é que muitas famílias dependem do trabalho no porto e é claro que não representam qualquer ameaça à segurança de Israel.

O repórter, pelo rádio, está contando as explosões que ouve. Acho que perdeu a conta quando chegou a seis. Agora mesmo todos ouvimos mais três explosões. "Tenho mais medo do zumbido", disse a minha irmã. Antes de explodir, os mísseis fazem um zumbido e é horrível, porque não se sabe onde vai cair. Quando se ouve a explosão, pelo menos, já se sabe que não caiu em casa. O repórter parou de contar as bombas e disse que o mercado de peixe (vazio, é claro) foi bombardeado.

Ouvimos notícias de que as quatro irmãs da família Balousha foram mortas num ataque à mesquita perto da casa delas, no norte da Faixa de Gaza.

O que mais me incomoda, mais que as bombas, a fumaça, as sirenes e os zumbidos dos mísseis? O eterno, constante, infernal barulho dos helicópteros Apache que sobrevoam a cidade dia e noite sem parar um segundo. Às vezes acho que comecei a 'ouvir vozes', tanto me enlouquece o barulho dos Apache. Acho que, sim, estou ouvindo vozes."

(Texto publicado no Blog Live from Palestine, em 28/12/2008, Eletronic Intifada, em http://electronicintifada.net/v2/article10065.shtml. A autora Safa Joudeh retornou a Gaza em setembro de 2007 onde trabalha como jornalista freelancer.)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Boa Notícia!


Pra quem não se lembra, Margareth Thatcher foi a primeira-ministra da Inglaterra durante o fim dos anos 70 e anos 80. Enquanto nos EUA o liberalismo econômico selvagem do Reagan fodia com os pobres e fazia chamego pros ricos, na Inglaterra era a mesma coisa com a Maggie. Ela cortou vários direitos sociais dos ingleses, aboliu o salário mínimo, privatizou uma pá de empresa, reprimiu duramente uma greve nacional dos mineiros, e foi intransigente com a Argentina no triste episódio da Guerra das Malvinas, contribuindo, com o lixo dos generais argentinos, pra morte de centenas de jovens soldados britânicos e argentinos.

Ela cumpriu um papel bacana nos anos 80, que foi ser a inimiga número um dos punks ingleses. Enquanto nos EUA o inimigo apontado em músicas era o Reagan, na Inglaterra era a Maggie, crucificada tanto pelo Crass quanto pelos toscos do Exploited.

Então, a notícia boa é que ela está louca. Isso mesmo, pirou, tá falando com os espíritos, despirocou, não tá batendo bem. De acordo com sua filha, ela está com demência . Não lembra das coisas. Um caso de justiça poética, digo eu.

Antigamente ela estava cagando e andando pros pobres e pros trabalhadores. Agora ela continua cagando, andando, e se esquecendo. Uma minúscula satisfação pra todo mundo que ela fodeu.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Transsexuais no Irã

"SER COMO OS OUTROS (Be Like Others) – Mostra Gay

O Islamismo orgulha-se de ser uma religião capaz de oferecer solução para todas as angústias de seus fiéis. Nem que seja uma solução final. No Irã, desde há 25 anos, os homossexuais “diagnosticados” têm uma saída supostamente honrosa, e apoiada oficialmente: mudar de sexo. O grau de homofobia é tamanho que mesmo alguns transexuais ostentam seu ódio aos gays. Como o sexo anal é considerado pecado e desonra supremos, os homossexuais mais aparentes, quando não se suicidam (33% o fazem, segundo diz um médico no filme), submetem-se a brutais cirurgias para escapar ao apedrejamento ou à prisão pela Polícia Moral.

Esse é o quadro brilhantemente descortinado por Ser como Os Outros, doc rodado em Teerã por Tanaz Eshaghian, uma iraniana radicada em Nova York desde os seis anos de idade. Ela passou 45 dias com seus personagens sem enfrentar nenhum tipo de oposição das instâncias oficiais. O assunto não é tabu, uma vez que se trata de “corrigir um erro de Deus” – como define uma autoridade clerical – ou curar uma doença, como assume um transexual bem-sucedido. “Mudar de sexo não é pecado, assim como não há nada de mau em transformar o trigo em pão”, compara um clérigo. As pessoas operadas ganham estatuto de renascidos, com direito a nova certidão de nascimento.

A lógica muito particular dos iranianos no trato com o tabu da homossexualidade aparece não em informações frias e genéricas, mas diretamente no drama de jovens, no momento mesmo em que são atirados nesse beco-sem-saída e na interrelação com amigos, namorados e familiares. Boa parte do filme se passa no consultório ou na sala de espera do Dr. Mir Jalili, um especialista que já fez cerca de 500 operações nos dois sentidos. Outro tanto se passa no espaço doméstico dos personagens, onde os dilemas se tensionam até o limite da indiscrição.

É notável o acesso da diretora a esse universo tão íntimo. E o Irã se confirma mais uma vez como laboratório privilegiado do cinema direto contemporâneo, dada a disponibilidade das pessoas para serem observadas por uma câmera aparentemente inexistente. Ou, quando se trata de quebrar essa quarta parede, isso se faz com uma tal naturalidade que nada se perde da suposta “transparência”. Mas o filme também recorre a delicadas entrevistas e absorve exemplarmente o recurso da reportagem alheia. É quando uma jornalista da rádio estatal vem ao consultório do Dr. Jalili para conversar com seus pacientes e não faz mais que confrontá-los com sua visão fundamentalista dos gêneros e da sexualidade.

Vencedor do Prêmio Teddy (temática homossexual) no Festival de Berlim, Be Like Others alterna cenas de uma transgressão inimaginável para uma sociedade islâmica e momentos profundamente comoventes de desalento e solidão. Quando retoma alguns personagens meses depois da cirurgia, desvenda novo cenário de angústias e incertezas para as quais o Alcorão, ao que parece, não tem mais respostas a oferecer."

Copiei e colei daqui e o texto é da autoria de Carlos Alberto Mattos.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Babaca Rico do Ano

Eu fico lendo os jornais e me dá uma azia brutal. Especialmente as colunas sociais.

Todos os filhos da puta do poder tão lá. O filho do cara que deu golpe no mercado financeiro. O filho do cara que quebrou um monte de lojas por especulação. O filho do cara envolvido com um escândalo bancário e de tráfico de influência.

E o que as colunas sociais dizem? "Fulaninho" - reparem que esses babacas ricos sempre são chamados por diminutivos ou nomezinhos fofos. Como Ricky, Ricardinho, Ri, essas coisas, acrescido do nome poderoso de família - "Fulaninho de Tal" foi visto com sua nova namorada, a modelo Delgada Anoréxica. "Paulinho" da Grana desfilou em Aspen com sua nova conquista, a global "Modelo Barra Atriz".

Porra!!! Os pais dos caras deram golpe, caralho!!! Passaram a perna em meio mundo, roubaram a grana de um monte de gente, e os filhos tão aí pagando de gatão, catando tudo que é mulher e ainda sendo apontados como modelos de comportamento masculino, como sonho de conquista da mulherada.

Brother, vai dar o cu. Que merda de sociedade é essa??? Filho de bandido pobre se fode, nem pra visitar o pai na cadeia em paz consegue - tem que levar a comida numa embalagem transparente, que o guarda da cadeia enfia a mão pra ver se tem coisa escondida, tem que ficar pelado e de cócoras pra ver se cai droga ou celular do cu.

E filho de bandido rico? Tá catando mulherada, apresentando programa de TV e sendo desejado pelas minas e invejados pelos caras.

Menos por mim.

É, rapeize, tô CAGANDO pra eles. Tenho certeza de que se eu estivesse num jantar com eles no Jockey Club, todo mundo ficaria rindo deslumbrado com um cara desses, e, no momento em que nossos olhares se cruzassem, eles iam perceber que EU SEI QUE ELES SÃO UNS BOSTAS.

Talvez até isso influenciasse numa brochada mais tarde quando eles estivessem comendo uma anoréxica modelo/atriz. Mas provavelmente não.

De qualquer modo, sempre que eu vejo esse lixo de gente me vem à cabeça o Concurso Babaca Rico do Ano do Monty Python, que eu colei abaixo.

Falta legenda, mas acho que dá pra sacar do que se trata.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Nevoeiro

Fui assistir recentemente "O Nevoeiro" (The Mist - e não, não é a banda de metal de BH), baseado numa estória do Stephen King.

Quando meus amigos disseram que era baseado no Stephen King eu já fiquei meio assim. Sei lá, pensei, o cara tem um monte de série na TV, toneladas de estórias filmadas, uma pá de livro, deve ser um filme bunda. Mas como quem me recomendou foi muito enfático na qualidade do filme, acabei indo assisti-lo.

Ainda bem que venci meu preconceito (e é preconceito mesmo, um lance meio novidadeiro besta - porque o cara escreve faz décadas então a produção dele é ruim? Ponto negativo pra mim...)

O filme é fodido! Fodaço! Desesperado, angustiante, assustador, surpreendente, e trágico. Incrivelmente trágico. Não vou estragar o clima de quem for assistir, mas aqui bem que podia ser utilizada aquela frase da entrada do inferno do Dante Alighieri: deixem aqui toda a esperança vocês que entram.

A trama se desenvolve numa pequena cidade americana onde um nevoeiro, vindo de uma base militar, toma a cidade. Mas antes disso, várias pessoas estão reunidas num supermercado comprando mantimentos, acreditando que se trata o nevoeiro do prenúncio de um furacão. E quando o nevoeiro chega essas pessoas ficam presas no supermercado, submetidas a estranhos acontecimentos.

O que rola fora do supermercado não é explicado até o meio do filme, o que aumenta a angústia. Só s sabe que há coisas lá fora, que machucaram uma pessoa e que fazem com quem saia no nevoeiro não volte mais.

É esse medo do desconhecido que gera o maior pavor do filme: a reação das pessoas presas no supermercado. Diante de uma situação limite as pessoas acabam fazendo opções filósoficas, políticas e comportamentais mais radicais, no sentido não de extremas, mas de próximas àquilo que realmente, no fundo, as motiva. Assim o povo preso no supermercado mostra o que tem de melhor e o que tem de pior no desenvolvimento da crise.

O melhor é a atuação do protagonista, um pai de família quarentão que está no supermercado com seu filho. O pior é o crescimento da influência de uma maníaca religiosa cristã, que vê nos acontecimentos um sinal da ira divina.

Daí em diante a situação vai se polarizando cada vez mais, e mesmo com monstros assustadores rondando o supermercado, o medo maior é das pessoas que estão lá dentro umas em relação às outras.

O final do filme é pior que um chute no saco. É como se alguém colocasse o saco num daqueles moedores de carne antigos, que eram fixados numa mesa. É a desgraça completa, a perdição absoluta, o questionamento visceral sobre quem somos e como reagimos com o que acontece, e o preço que se paga por isso.

Eu fiquei chocado, e adorei o filme.

Aqui um trailer chupinhado do Youtube:

sábado, 20 de setembro de 2008

Neoliberalismo Pra Inglês Ver

Bem, como eu presumo que se saiba, o neoliberalismo é aquela doutrina político-econômica que diz que o Estado não deve intervir na economia. Assim, as relações entre as pessoas devem ter o menor número de leis possível, devendo a maior parte do que se faz ser objeto de regulação pelo mercado. Numa síntese beeeem apertada, é isso.

E quem defende isso? Geralmente países com uma classe de proprietários de empresas - indústrias, serviços, agronegócio - que seja bem forte, que não queira leis sobre direitos do consumidor, direitos ambientais, direitos trabalhistas.

A estória toda é furada, pois quem defende essa idéia geralmente não admite o cinismo que tem por trás: essas empresas não querem o governo legislando CONTRA elas. Mas querem o governo legislando A FAVOR delas. Assim, por exemplo, nos Estados Unidos, se briga contra leis que dêem direitos ao consumidor e aos trabalhadores, mas, por outro lado, se exige que o governo crie leis protegendo o mercado do país contra importações e contra subsídios de outros países.

É mais ou menos como um casal onde o cara diz pra mulher que não quer que ela o chifre, mas ele continua a chifrar assim mesmo.

Bem, disse isso tudo porquê essa semana nós tivemos mais um exemplo lindo de como essa mentalidade neoliberal funciona: nos Estados Unidos o banco Leehman Brothers, a seguradora AIG e outras instituições financeiras anunciaram que iam quebrar.

SE o mercado realmente tivesse a capacidade que os neoliberais dizem que tem de se auto-regular, o que ele faria? Absorveria essa quebra, que - economicamente falando -iria causar prejuízos de um lado mas por certo geraria outros lucros e oportunidades de outro.

Então quem defende a economia de mercado deixou a seguradora quebrar, não é?

E-R-R-A-D-O! Claro que não. Mesmo o banco central americano não sendo diretamente um órgão do governo, é um órgão público, e tem recursos públicos, e acabou injetando na AIG a ninharia de 85 BILHÕES DE DÓLARES! Tá aqui, ó. E essa não é a primeira ajuda bilionária do dinheiro público americano a uma instituição financeira não. Com a quebra das instituições hipotecárias dos Estados Unidos no começo do ano, mais uns 200 BILHÕES foram disponibilizados pelo governo dos EUA pra ajudar essas empresas.

Eis aí a maravilha da economia de mercado: o governo fica na sua, não fazendo nada que não seja dar dinheiro quando a economia de mercado não funciona.

O que quem defende o neoliberalismo esquece de dizer é que esse dinheiro aí que eles recebem é público, é do povo americano.

Taí: no capitalismo os lucros sempre são privados, e os prejuízos são públicos.

A propósito, tô precisando de uma grana, só um milhãozinho. Será que o governo americano me empresta? Eu faço qualquer coisa!


Eu pareço bastante com esse cara da foto.
Também já fiquei pelado de óculos escuros.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Louvado seja!

Que bom viver nestes dias de hoje!

Quando mais eu poderia descobrir - graças ao Metal Inquisition, claro - que existe uma banda de industrial-techno formado por um ex-integrante da banda de black-metal Emperor?

E quando eu saberia que ele faz suas performances maquiado de goblin? Ok, eu também não sabia que goblin é um duende do mal! Que nem os do Senhor dos Anéis.

Tô procurando uns trolls e orcs
pra montar um projeto de chorinho-rap.

Imagina quando eu ia pensar numa coisa dessas. Tô lá na balada - coisa muito comum, reconheço, mas tenho que dizer isso pros fins do texto - e de repente sobe no palco um monte de cabeludos com roupas de couro negro e o front-man é um duende do mal!

A-N-I-M-A-L!!!!

Olha aqui um video deles - esse é especialmente foda, pois o cara que personifica o duende está dando um rolê glacial sem camiseta, como se fosse um goblin à procura de alguma maldade pra fazer, como violentar uma virgem católica ou atormentar um deficiente mental. O que me faz considerar as brutais diferenças que existem entre esses personagens maléficos de outros países e os do Brasil. Aqui ele seria um saci e estaria atrás da Tia Anastácia pra, sei lá, sujar as roupas que ela deixou no varal, abrir o forno pro bolo murchar, essas coisas bunda que saci faz).

Olha o cara cantando:



Foda, né?

Que bom que eu vivo nestes dias de hoje.