Fui assistir recentemente "O Nevoeiro" (The Mist - e não, não é a banda de metal de BH), baseado numa estória do Stephen King.
Quando meus amigos disseram que era baseado no Stephen King eu já fiquei meio assim. Sei lá, pensei, o cara tem um monte de série na TV, toneladas de estórias filmadas, uma pá de livro, deve ser um filme bunda. Mas como quem me recomendou foi muito enfático na qualidade do filme, acabei indo assisti-lo.
Ainda bem que venci meu preconceito (e é preconceito mesmo, um lance meio novidadeiro besta - porque o cara escreve faz décadas então a produção dele é ruim? Ponto negativo pra mim...)
O filme é fodido! Fodaço! Desesperado, angustiante, assustador, surpreendente, e trágico. Incrivelmente trágico. Não vou estragar o clima de quem for assistir, mas aqui bem que podia ser utilizada aquela frase da entrada do inferno do Dante Alighieri: deixem aqui toda a esperança vocês que entram.
A trama se desenvolve numa pequena cidade americana onde um nevoeiro, vindo de uma base militar, toma a cidade. Mas antes disso, várias pessoas estão reunidas num supermercado comprando mantimentos, acreditando que se trata o nevoeiro do prenúncio de um furacão. E quando o nevoeiro chega essas pessoas ficam presas no supermercado, submetidas a estranhos acontecimentos.
O que rola fora do supermercado não é explicado até o meio do filme, o que aumenta a angústia. Só s sabe que há coisas lá fora, que machucaram uma pessoa e que fazem com quem saia no nevoeiro não volte mais.
É esse medo do desconhecido que gera o maior pavor do filme: a reação das pessoas presas no supermercado. Diante de uma situação limite as pessoas acabam fazendo opções filósoficas, políticas e comportamentais mais radicais, no sentido não de extremas, mas de próximas àquilo que realmente, no fundo, as motiva. Assim o povo preso no supermercado mostra o que tem de melhor e o que tem de pior no desenvolvimento da crise.
O melhor é a atuação do protagonista, um pai de família quarentão que está no supermercado com seu filho. O pior é o crescimento da influência de uma maníaca religiosa cristã, que vê nos acontecimentos um sinal da ira divina.
Daí em diante a situação vai se polarizando cada vez mais, e mesmo com monstros assustadores rondando o supermercado, o medo maior é das pessoas que estão lá dentro umas em relação às outras.
O final do filme é pior que um chute no saco. É como se alguém colocasse o saco num daqueles moedores de carne antigos, que eram fixados numa mesa. É a desgraça completa, a perdição absoluta, o questionamento visceral sobre quem somos e como reagimos com o que acontece, e o preço que se paga por isso.
Eu fiquei chocado, e adorei o filme.
Aqui um trailer chupinhado do Youtube:
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
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